Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

Nunca é Tarde!























































Nunca é Tarde!

Nunca é tarde,
Para Agradecer,
Para Reconhecer,
Para Crescer,
Para Amar,
Para Aprender,
Para Sentir,
Para experimentar,
Para Acreditar,
Para Respeitar,
Para Ensinar,
Para Valorizar,
Para Evidenciar,
Para Eleger,
Para Chorar,
Para Recuperar,
Para Encontrar,
Nunca é tarde……
PARA VIVER.

A convite da ATACA, aceitei o desafio de por dois meses ser voluntária numa missão que à partida, já me pedia uma certa coragem!
Medos, Ansiedades, curiosidades foram os meus maiores sentimentos quando decidi dizer o sim!
O sim, estava dado, agora era apenas fazer as malas……..

Será longo o meu percurso de “OBRIGADAS” e palavras serão sempre poucas para agradecer tudo o que fizeram por mim, apenas digo que o Amor que levei, foi base para o Amor que deixei.
Começo, primeiramente por falar na Ataca.
Foi com muito orgulho que desempenhei o trabalho de voluntária e com todo o coração e bondade vos representei em Quelimane! Ver todas aquelas mamãs e crianças a sorrirem por ter uma vida melhor, conforta-me o coração e faz-me acreditar que o nosso trabalho é reconhecido e que jamais podemos para de ajudar o próximo!
Mas a Ataca não é só África, e a grande equipa concentra-se no Porto e com toda a sua ajuda “ Nós atacamos por todo o lado”, por tudo o que esta equipa é capaz de fazer no Presente e no Futuro, os meus Parabéns e o meu, Muito Obrigada!

Família, Amigos, Amigas!
Como posso deixar de vos agradecer! O vosso carinho, a vosso voto de confiança, a vossa Amizade e todo o vosso Amor, foram a base emocional, desta que foi a experiência da minha vida!
Todos os vossos e-mails, mensagens, sms, telefonemas, foram para mim como sinais de coragem, confiança e credibilidade ao meu trabalho!
E nos momentos mais difíceis, nos momentos que eu mais precisei ,vocês estiveram presentes, cada palavra recebida a km de distância era certeza que jamais estaria só e nós estávamos juntos.
Poderia fazer uma lista de nomes, mas nomes não interessa, o que gostei e agradeço são as atitudes e protecção das pessoas certas.
Não há palavras que cheguem, nem dicionários capazes de exprimirem tudo o que senti com as vossas palavras.
Quando se tem uma família e amigos como provaram ser, a distância não existe fica apenas a saudade de pessoas que se gostam.
A todos os que estiveram comigo de copo e Alma. O meu MUITO OBRIGADA.
!

Casa Esperança,
Aqui as lágrimas já pedem para cair, aqui o coração se reparte por várias crianças que me ensinaram a falar a linguagem mais bonita e universal do Mundo a linguagem do Amor.
Testemunhos desta minha missão, leva-vos ao encontro de bons episódios que aqui vivi, mas infelizmente não tenho como descrever, nem mesmo filmar a força de um abraço nem a alma de um sorriso!
Os últimos dias com os meus meninos foram provavelmente os mais intensos, ambos sabíamos que tínhamos poucos dias, ambos sabíamos que teria que haver o momento em que eu teria que ir, e ambos sabíamos que todos os minutos contavam e todos os segundos eram sagrados! Ambos sabíamos que ia ser difícil.
Todos os laços ali criados são sinónimos de uma identidade própria, pois cada um deles tem a sua história, a sua confidência, os seus valores, a sua importância, e, mais importante é que cada um deles sabe que vive no meu coração, num tempo chamado sempre.
As despedidas foi um passo que tivemos que superar, mas os meus meninos de tudo fizeram para agradar a Tia Pata, que para eles não era apenas uma tia, era uma amiga, uma companheira, uma confidente e para os mais sentidos era como uma mãe!
Os testemunhos que estes meninos me deixaram são Maravilhosos, as cartas transmitem uma grande Amizade e uma grande coragem, em escreverem aquilo que lhes vai na alma de forma tão triste e tão alegre por terem conhecido a Tia Pata.
Tentei de todas as formas explicar-lhes que eles jamais perdem uma tia, mas antes pelo contrário, eles ganharam uma tia, e, todo o amor que por nós foi trocado ficará nos nossos corações.
Pedi-lhes que ficassem sempre alegres, quero que me recordem com a alegria que sempre os tratei!
E, a verdade é que no outro liguei e falei com um deles que apenas me disse – Plantamos uma flor no nosso coração que é a tia e não se preocupe que nós estamos alegres……
Mas como qualquer despedida há que haver o dia em vamos mesmo.
Tive boas surpresas, e os meus meninos não deixaram que eu fosse embora apenas com a lembrança de um abraço, ou apenas um aceno de mão a dizer adeus, estes meninos fizeram questão de demonstrar que todo o Amor que sentem é Todo o Amor que exprimem.
Desde baldes de aguas, a teatros, a musicas, a cartas, a confidências, a sorrisos intensos, a abraços vindos do nada, a presença de todos no aeroporto com 30 graus à sombra, tudo estes meninos fizeram para que o nosso adeus fizesse sentido!
O meu coração estava bastante triste, e sei que o deles também, pois ambos percebemos que algo mudou e foi para sempre!
Curiosamente estes meninos não choram mas eu confesso-vos que chorei e não foi pouco, a ida deles ao aeroporto foi a melhor prenda que podia ter tido, vê-los comigo até à ultima fez-me acreditar que a companhia deles seria de terra e de ar, não importa a distância, valorizamos sim o tempo que estivemos juntos!

Entrei na sala de voo desfeita em lágrimas, nem os óculos escuros disfarçavam o que de mais puro ia na minha alma, como é difícil dizer adeus aqueles que aprendemos a Amar de forma tão intensa e verdadeira.
Conhecer e reconhecer estes meninos, foi uma das grandes aprendizagens da minha vida, pois só com toda esta troca de Amores consegui tornar-me numa pessoa ainda melhor, e mais capaz. Estou certa que jamais serei a mesma e que muita coisa em mim mudou.
Mas a Casa Esperança, não vivia apenas dos sorrisos destes nossos meninos, muitas pessoas ajudam diariamente ao bom funcionamento de toda a casa.
As Tias são umas queridas e mimam-nos quando estamos doentes e quando nos vêm mais carentes!
Por tudo isto e por todo o Amor que vivi na Casa Esperança o meu,
MUITO OBRIGADA

E as Voluntárias?
De 4 estranhas passamos a 4 amigas
Poderia aqui terminar este meu agradecimento, pois quando conquistamos novas amigas, pouco há mais para acrescentar, mas seria injusto não falar destas 4 raparigas totalmente diferentes, que se unem por uma causa e no fim percebem que juntas vamos estar sempre, pois tudo aquilo que nos uniu foi a força de um Amor e de uma solidariedade que depende da nossa união. Quatro somos muitas, uma só é muito pouco.
Foram dias intermináveis junto destas amigas, conhece-las não foi tarefa fácil, pois como sabem não é fácil juntar 4 mulheres numa casa e apenas dizer – Agora entendam-se!!!
Mas a verdade é que com todas as nossas diferenças, nós unificamos o nosso valor e unificamos a nossa força e coragem em prol de uma vitória o bem-estar das pessoas envolvidas na nossa Missão.
Falar delas individualmente, teria direito a várias páginas neste blog, pois cada uma à sua maneira tem o seu encanto pessoal, e cada uma delas deixa uma bonita história em mim.
A Rita, a menina das boas panelas, demonstrou ser uma mulher com coragem, atitude, e sempre disposta a trabalhar e a ajudar de forma incondicional.
Só vivendo esta experiência é que se consegue perceber a dimensão do trabalho e do esforço da nossa Rita. Parabéns Rita!
Como amiga que é, sabe que deixou em mim uma marca especial e ambas sabemos qual o caminho dessa Amizade.
A Isabel, sempre com o seu ar tranquilo, demonstrou ser uma pessoa muito ponderada,
Dedicada e sempre disponível para tudo, muita atenta ao próximo, não deixava passar ninguém sem lhe deixar um sorriso
Foi minha companheira nos momentos, zen, nos momentos “ saudáveis” e claro nos bons dias!
A Martinha, minha menina, que tanto “ralhetes” lhe dei, tantas horas passadas juntas mas acho que valeu a pena, pois o fruto desta Amizade é a prova que ela se ergue em fundamentos verdadeiros e sólidos.
Tem um carinho muito especial com os meninos e explicações é com ela!
Mas tanto há para dizer sobre estas minhas amigas, mas acho que a Magia está em descobrir por si só o valor de cada uma, e posso garantir que muito aprendi junto delas.
Enquanto Mulheres, Enquanto Amigas, Enquanto Voluntárias o meu MUITO OBRIGADA!

Custa-me parar de escrever sobre a viagem que mudou a minha vida, mas na realidade, não encontro palavras que transmitam tudo aquilo que vivi, e nem mesmo as fotografias e os filmes conseguem traduzir tudo aquilo que se sente.
Foram momentos inesquecíveis, dias de perder de vista, foi a conquista do mais simples que há neste Mundo o AMOR.
Não há palavras, apenas Momentos, Momentos que para sempre ficam no nosso coração, momentos que só merecem ser agradecidos por tudo o que lá vivi, momentos que só pedem ser repetidos, momentos que preenchem o meu coração.
Por tudo isto, por acreditar que a Vida ensina e que Nunca é tarde para aqueles que acreditam,
O meu MUITO OBRIGAADA.

Com medos e saudades decidi partir,
Em África fui aterrar,
Um voo que se inicia e pede para não terminar!
O Voo da Vida,
O Voo da Coragem,
O Voo do Amor,
A Todos meu sincero e humilde

MUITO OBRIGADA.

Patrícia Ferreira
Tia Pata

Levo-vos no meu Coração!
ESTAMOS JUNTOS







A Musica do Adeus......

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Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

tryin’ to throw our arms around the world



Dizer que as últimas semanas têm despertado em nós um misto de emoções é pouco. Que semanas estas que passaram! Mas porque agora pouco interessa falar sobre coisas menos boas, passemos antes aquelas que valem bem a pena: aquelas que afinal de contas nos trouxeram cá e que são vividas em «cada entrega alucinada pra receber daquilo que aumenta o coração».

No domingo de Páscoa tive a oportunidade única de assistir a uma missa em chuabo com direito a canto, dança, djambés, vários baptizados e até um casamento misto entre uma católica e um muçulmano. Para mim que vejo a religião, acima de tudo, como uma ponte entre culturas/povos foi uma maravilha estar três horas sentada numa cadeira transportada de casa, numa igreja sem ventoinhas, com sol a bater na cara, entre quatro paredes brancas, sem fachadas de ouro/bronze em redor. Aqui sente-se tudo com a alma – aqui «anima»! Fica o vídeo para poderem ter uma ideia.
Ainda mais tarde neste dia, a tia Pata fez três bolinhos para todos cá em casa que pudemos desfrutar à hora do lanche .. portanto tivemos um dia em pleno!


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Entretanto, como recompensa, fomos recebendo ao longo destas semanas boas notas dos rapazes da Casa que têm explicação connosco. E que bem sabe ver o nosso trabalho reconhecido. Miúdos que com um bocadinho de ajuda no método de estudo já ganham outra motivação!

Tive ainda a oportunidade de visitar algumas escolas para recolher notas dos afilhados, mas o que mais me cativou foi a ida aos bairros. É entrar noutra realidade. Não sei se é possível descrevê-la sem observá-la com os próprios olhos. De cada vez que entro num bairro, tenho a sensação de estar a entrar no paraíso. Bosques rodeados de árvores, terra fértil por cultivar, casas organizadas por quarteirões (cada quarteirão ou conjunto de casas tem um ‘secretário’) e, acima de tudo, uma paz e tranquilidade incríveis. Claro que falamos de casas, na sua maioria, feitas de paus e pedras e «cimentadas» à base de terra e água. Electricidade vai havendo, canalização nem pensar. Há latrinas, e muitas são já as casas em que a ATACA ajudou a construir essas mesmas latrinas para dar mais alguma dignidade e higiene sanitária a estas famílias. Porque efectivamente é a realidade deste povo e não será por isso que deixem de ser felizes ou ter oportunidades na vida. Têm é sem dúvida muito mérito se conseguirem alcançar o êxito. Ver o que eu tenho visto com os meus próprios olhos é uma lição de vida, uma verdade que eu via até hoje inalcançável mas que agora consigo perceber e avaliar segundo o meu discernimento, sem opiniões de terceiros (ainda que sempre procurando ouvir quem sabe e quem cá está há mais tempo). E não há nada que tenha mais valor que isso.



No dia 7 de Abril festejámos também nós o dia da Mulher Moçambicana. Já com a Rita em Quelimane, depois de uma visita ao projecto de Ocua de onde só chegam relatos de uma entrega e dedicação maravilhosos por parte das Irmãs Mila e São, tivemos oportunidade de celebrar um dia bem merecido em honra destas mulheres que são umas verdadeiras Lutadoras. Portanto, aqui vai a nossa merecida homenagem, com direito a capulanas e tudo!


A cereja no topo do bolo foi a ida à praia com o Gani. Confesso que nunca vi tanta terra «virgem» na minha vida. Estou maravilhada com aquilo que vi. A natureza no seu estado mais puro, sem deteriorizações, terra essa em que se pode observar um horizonte tão longínquo que chega a ser hipnotizante. E que dia bem passado. Um bem-haja para este nosso Amigo incansável!





Para finalizar, fiquem com estes sorrisos contagiantes. Que preciosidade!



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Love is a winning game.

Isabel

Na recta Final.....





















Na Recta Final……

Restam-me poucos dias desta minha missão.
O coração aperta,…..mas a experiência é Magnifica!
Estar longe não é fácil, mas estas crianças fazem com que qualquer distância seja menor.
Dia 04 de Abril, dia de Páscoa um dia muito especial que a mim só me traz boas recordações. Naturalmente neste dia sentia-me mais nostálgica, mas nada, como abraçar o Mundo do Amor.
São 6h30 e vêm bater à porta, são os nossos meninos despertando o nosso sono para os acompanhar á missa. E lá vou e a tia Isabel!
Esta missa tem um encanto especial pois a comunidade, toda canta em “chuabo” ao ritmo de batuques e danças que só me pedem para saltar da cadeira e acompanha-los.
Quem celebra a missa é o nosso cordial Padre Estêvão que desde já digo ser um Padre com o qual a empatia é grande. O Padre inicia a missa mas de longe vê duas caras conhecidas, duas brancas, que se escondem em leques tentando assim minimizar o calor imenso que se faz sentir. E de longe começa a falar de nós……eu e a Isabel envergonhadas esboçamos sorrisos tímidos, e nesse instante somos convidadas a ser apresentadas a comunidade que nos acolhe com tanto carinho!
A vergonha é alguma mas lá fomos nós ao Altar. Falamos de nós, do nosso projecto, e, do nosso eterno agradecimento, no fim toda a igreja nos saudou com fortes palmas e bonitos sorrisos! Foi um momento digno de partilhar, um momento que jamais vou esquecer e com ele as lágrimas fizeram-se sentir, pois afinal aqui tudo vale mesmo a pena!
A missa teve a duração de 4 horas, tivemos direito a baptizados, a casamento entre um cristão e um muçulmano e a típica celebração da Páscoa. Posso dizer estas 4 horas voaram, pois toda a magia fez com que o tempo desaparecesse!
Após a missa voltamos para casa, mais ricas, mais nós!
Tivemos direito a um almoço melhorado mas não sabiam aos rojões que recordo tanto carinho.
Mas é dia de Páscoa há que celebrar e tínhamos preparado para os nossos meninos um belíssimo lanche, decidimos fazer uma decoração diferente ao salão, e tudo se improvisa nesta terra e tudo aqui fica mais bonito e mais alegre!
Com a ajuda dos nossos meninos fizemos do nosso salão uma “sala de festa”.
Eu, fiz os meus bolinhos (6 doses de bolo de chocolate) + um bolo de iogurte, havia também pipocas e refrigerantes, e foi assim o nosso lanche, com doces, com alegria, com harmonia e com cumplicidade á qual estamos habituadas a receber.
A Páscoa que já tinha significado para mim, agora tem a grande diferença de ter sido vivida e Amada pelos “ meus meninos”,recordada para sempre!
Os dias se passam na Casa Esperança, e toda a nossa aprendizagem é uma troca de diplomas, pois aquilo que se dá, é aquilo que se recebe!
Mas o nosso projecto não é apenas interno e há que gerir também as nossas 150 famílias, 150 mamãs que acolhemos. Essas mamãs são visitadas por nós afim de podermos identificar as suas necessidades assim como o seu investimento com a nossa ajuda.


É indescritível o mundo que lá fora existe, é inacreditável a viagem ao Mundo desta comunidade que vive em condições decadentes e que nós conseguimos ajudar.
As viagens, valem todo o esforço, somos levados pelo mundo verde, por paisagens maravilhosas, que nos levam a caminhos encantadores onde a vida é de terra pura!
E assim chegamos a casa das mamãs que nos recebem carinhosamente e onde assistimos à pobreza real e a sorrisos sempre capazes! Mais uma experiência que recordarei.

Mas a vida das voluntárias não é apenas trabalhar e no Domingo tiveram o seu dia sagrado - a Praia! Uma luz ao fim do túnel!
O nosso e fiel amigo Gani leva as meninas à praia.
Eram 8h00 da manha e tínhamos uma razão para estarmos com uma disposição diferente….vestíamos os nosso biquínis….que sensação……
São 9h00 e o jipe espera-nos e lá vamos nós a caminho do nosso dia!
A viagem é Linda pois os verdes de infindáveis Palmeiras, percorrem a nossa Alma deixando-nos mais ricas.
E assim vamos chegando à tão desejada Praia……A Praia da Zalala.
Estacionamos, arrancamos para um desejo que nos era merecido….esticamos capulanas, toalhas e vamos num momento só abraçar o mar imenso que tanto, aguardávamos!
E foi assim o nosso primeiro banho de 2010 em mares quentes do Indico.
Após vários banhos, temos o almoço à nossa espera e várias “ Laurinhas” para acompanhar o excelente peixe que tínhamos para desfrutar!
E foi assim o nosso dia de descanso! Um bem Haja! Ao nosso amigo Gani!
E hoje fico por aqui, volto para escrever mas agora só no fim desta minha temporada!

A todos o meu Muito Obrigada,

ESTAMOS JUNTOS

Patrícia Ferreira


Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

"Babye now" Tia Pata :)

Há dias em que fazemos uma retrospectiva de quase 2 meses de trabalho aqui em quelimane e em dias como este só penso que de facto os valores e princípios pelos quais a ATACA se rege são exemplares. Acima de tudo admiro a coragem, o empenho, a dedicação, a força, a transparência e o carácter de TODA a equipa da ATACA. É inigualável.

A minha segunda parte do post é directamente para uma das voluntárias da ATACA, a patricia. Daqui a 5 dias a nossa Tia Pata vai embora e eu não podia deixar de dizer que me sinto uma priviligeada por ter tido a sorte de trabalhar com ela. (por ter partilhado quarto com ela não me sinto assim tão priviligeada... opá o leque a bater a noite toda e as insónias dela por causa do calor... nínguém merece :P).

A verdade é que a pata não só é aquela pessoa que nos faz sempre dar as maiores gargalhadas como é uma pessoa fora de série. Super sensível, super protectora, super sensata e na minha opinião, uma voluntária exemplar. Não só fez um trabalho incrível com os miúdos, 24 horas por dia/7 dias por semana, como foi para nós uma amiga incansável, sempre. Foi uma pessoa com quem aprendi imenso, imenso mesmo. É uma voluntária, uma trabalhadora, uma cúmplice, uma amiga, uma pessoa... verdadeiramente extraordinária. Os factos falam por si, nós recorremos à Tia Pata por tudo e por nada, seja só para falar do tempo, seja para receber um conselho, seja para tomar uma decisão de trabalho, seja para dizer uma piada... e é impressionante como a tia pata está sempre 100% disponível. Se estiver a fazer qualquer coisa e nós aparecermos para falar com ela, pára o que está a fazer, ouve-nos e tenta ajudar-nos. Já para não falar do trabalho excelente que fez com os miúdos que a adoram e que já há um mês que contam os dias no calendário para a partida. Já está a custar muito a todos saber que se vai embora. Hoje só queria dizer que a Patricia (agora completamente conhecida por Tia pata) é uma pessoa que acredita em nós, que acredita nas pessoas e que nos dá motivação todos os dias para sermos melhores. Já estamos todos com as maiores saudades dela. Deixou uma marca muito forte em nós e sobretudo uma marca que nos nossos meninos que vai ficar sempre. Disso tenho a certeza.

Beijinhos para Portugal.
Tamos juntos
Marta

Outro sítio a que chamo CASA



Este será sem dúvida o relato mais difícil que tive de fazer algum dia aqui em Moçambique.
Os meus últimos dias deram-me um crescimento e uma consciencialização ainda maior deste país, destas famílias, deste povo.
A minha viagem a Ocua encheu-me de coragem e acima de tudo de amor. Um amor ao próximo ainda maior.
A viagem não foi fácil.. Tive um grande companheiro comigo, o Evaristo que me apoiou muito para que o cansaço e o medo do desconhecido não me invadissem.

Às 4h da manhã o machibombo partiu, deixando para trás Quelimane, a minha casa, rumo a novas paisagens, novas pessoas, novo dialecto e um novo projecto que até à data era para mim desconhecido.
Às 14 horas chegámos em Nampula. Nas minhas anteriores missões, tinha vindo sempre para Quelimane de machibombo, passando pelas diversas províncias deste gigantesco país. Mas a norte da Zambézia era um segredo e um mistério para mim que estaria a pouco de se revelar. Chegados a Nampula não sabíamos para onde ir nem como. Apanhámos o primeiro chapa que nos surgiu e que tinha como rumo o Namialo. Chegados a Namialo, mandaram-nos pedir boleia a um camião que iria a Namapa. Em Namapa já estaríamos perto da fronteira que nos levaria à província de Cabo Delgado, onde fica a Missão de Ocua. Aí finalmente consegui apanhar rede para falar à Irmã Mila. Logo ela me indicou estar no caminho certo, ufa que alívio, que me sossegou dizendo que me esperaria em Namapa. Já perto do destino o camião onde seguiamos de boleia avariou. Mais um longos momentos já noite de espera para conseguir boleia de um outro que passá-se. Mais um simpático senhor encostou o seu camião e nos levou direitos a Namapa. Quando os meus olhos viram a Irmã Mila nem queriam acreditar! Que festa que fizemos ali por finalmente nos encontrar-mos, nos conhecer-mos. O meu corpo pedia desesperadamente um banho, comida e cama. Senti-me a ficar velha para estas aventuras. Fomos recebidos na Missão de Ocua pela outra Irmã, a São, e ambas foram extremamente estupendas connosco. Estavam de braços abertos à nossa espera.À espera da ATACA.
A missão de Ocua fica mesmo no mato, perto da estrada que depois segue para o Chiúre e dai a Pemba.
O meu coração ficou animado quando ao amanhecer abri os olhos e vi que estava rodeada de enormes e gigantes embondeiros!

O local da missão tem natureza virgem, bonita. É um local quase mágico e tão diferente do resto que conheço de Moçambique. Este país surpreende-nos constantemente. Quando sai da cama já tinha um mata-bicho preparado que me soube como nunca! Vi a casa das irmãs, as suas criações de galinhas, de coelhos, cabritos. É inacreditável a obra delas.
Começamos a ouvir os meninos a chegar à escola por volta das 6h30m.O dialecto, o Macua é muito complicado e só os que já estão na escola primária conseguem dizer algumas coisas em Português.
Quando chegam primeiro brincam com os monitores uns minutos. De seguida todos lavam as mãos e colocam os seus bibes. Cantam o hino na perfeição.
De seguida é hora de trabalho. Entram para as suas salas. Uma dos 4 anos e outra dos 5 anos. Aí aprendem muitas coisas! As salas estão cobertas com os seus trabalhinhos e cada um deles tem a sua pastinha onde coloca aquilo que vão fazendo durante o ano.
Quando nos vêm, agarram-se de imediato a nós! Enchem-nos de carinho e literalmente saltam para as nossas pernas como formigas a treparem por nós acima.
Fazem duas refeições. A comida é deixada adiantada pelas irmãs, e depois uma cozinheira termina-a. Têm um refeitório e comportam-se lindamente.
Enquanto tudo isto acontece, do outro lado da missão, na Casa das Irmãs a vida continua. Constantemente batem à porta. Animadores, párocos, mamãs, todos vêm perguntar algo, informar algo, tratar algo com as Irmãs. Do outro lado da Casa fica um posto médico, construído pela APARF, que tem um socorrista que apoia todas aquelas aldeias ao redor da Missão. O Hospital fica longe, e quando há casos mais graves são as próprias Irmãs que transportam os doentes no seu carro. E digo-vos, já muitas crianças nasceram naquele carro, porque quando tem de ser não dá para esperar.
Além de tudo isto, as Irmãs têm ainda um Projecto de Crianças de Leite.


Apoiam as mamãs que não podem desde logo amamentar, por diversos factores. Dão leite para os bebés, para as próprias mães. Tratam-nas no banco de socorro e constroem biberões com o que há para que aquelas crianças tenham alimento.
São crianças muito felizes alegres, rodeadas de um ambiente saudável.
À tarde, é a vez dos mais crescido, que já tiveram escola de manhã, e que aqui vêm comer, brincar e reforçar a matéria aprendida na escola da parte da manhã. É notável o trabalho elaborado nesta Missão, ao todo com 89 crianças e duas Irmãs apenas, para coordenarem, ajudarem, educarem, transformarem. Foi um autêntico poço de inspiração para mim como voluntária a dedicação que elas têm. O amor que têm para dar. E com já muitos anos de missionarismo para trás. A maioria no Maranhão, no Brasil profundo.
Aprendi tanto mas tanto. A forma como trabalham em equipa, a forma como utilizam os recursos da ATACA, a forma como nos receberam.
Nada disto é possível de descrever na perfeição em palavras. Além disto posso vos dizer que irmã São faz um pudim….huummm não há descrição. E ainda por cima fazem pão no forno a lenha. Que paraíso. Eu e o Evaristo trabalhámos o mais que pudemos para aproveitar os dias que lá estaríamos. Estávamos ansiosos para entregar as cartas às crianças dos seus padrinhos. Mesmo sendo tão pequeninos perceberam muito bem, depois de traduzido no seu dialecto a principal mensagem que lhes era levada de Portugal. E ficaram muito felizes. Foi muito agradável passar a Páscoa com os nossos meninos de Ocua, rodeados de amor, carinho e esperança.


No regresso, as Irmãs, foram fantásticas e levaram-nos de boleia para Nampula para ficar mais fácil a nossa viagem de regresso. A verdade é que metade do meu coração ficou lá. A outra metade ansiava por chegar a Quelimane, a casa, aos meus meninos, às minhas voluntárias. E foi uma chegada em grande, depois de mais uma longa viagem, a tempo de comemorar com as meninas e as tias o dia da mulher moçambicana!
Mais uma vez, a todos os tutores o meu muito obrigada por transformarem a vida destes meninos! Sei que a minha descrição não é suficiente para que percebam a diferença que estão a fazer a pequenos mundos. Mas acreditem em mim que estamos verdadeiramente JUNTOS.

RITA